Sobre:

SELEÇÃO PARA ORIENTAÇÕES INDIVIDUAIS

Uma orientação visa levar o artista em direção ao seu própio desejo. Não há fórmulas prontas para esse momento, posto que achar a própria voz como artista é um processo pessoal.  Realizar um projeto autoral é pesquisar a si mesmo enquanto matéria prima. O artista se faz pesquisado e pesquisador. É uma caminhada pela aridez do desconhecido enquanto se define novos vértices de progresso para o processo criativo.
 

Seleção até dia 7 de julho através de entrevista e análise de portfólio.

[email protected] | 41.9.99627.8956

Início dia 07 de julho até 15 de dezembro.

Encontros semanais ou quinzenais.

 
 
 
Sobre o orientador:
Guilherme zawa é artista visual, psicanalista e escritor.  
Ministrou dezenas de cursos sobre fotografia e tratamento de imagem digital no SESC - Curitiba, UFPR - Universidade Federal do Paraná, Centro Europeu, Ponto de Cultura/Fundação Cultural de Curitiba, Aldeia Coworking e A Grande Escola.
É artista visual com passagem por museus, eventos e galerias de arte em Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Bueno Aires, Nova Iorque e Lisboa.
É diretor do CLIF - Curitiba Luz Imagem Fotografia/Semana da Foto em Curitiba, que trouxe dezenas de nomes relevantes ao cenário artístico nacional para a capital paranaense e contou com apoio da Prefeitura de Curitiba/Fundação Cultural de Curitiba e do Museu Oscar Niemeyer.
Idealizador da AIREZ Galeria de Artistas Independentes que atua através de produções e exposições com novos artistas.
Atualmente se dedica à aulas e oficinas sobre o fazer artístico no House of Learning em São Paulo e no ateliê W. Imago em Curitiba.
Agende uma entrevista com o orientador:

[email protected]

+55. 41. 99627.8956

 

Marcia Kohatsu Curitiba

"Sabe quando você ta meio perdido em seu processo criativo e você quer explorar coisas novas em você, no seu trabalho, mas não sabe muito bem por onde ir, por onde começar?! É principalmente nessas horas que vale ouro cada minuto de uma orientação criativa. Eu fui muito feliz em ter encontrado o Zawa nessas andanças da vida para ser esse orientador. Ele tem o dom de fazer com que você mesmo vá descobrindo os seus próprios caminhos, vá se aprofundando cada vez mais para dentro de você e se redescobrindo internamente. Dessa forma, você consegue visualizar novas possibilidades, consegue se visualizar diferente do que era. É algo extremamente revelador de si e dos caminhos que decidir trilhar. É um olhar-se para dentro para poder observar o que está fora de uma outra maneira, agora com outros olhos."- Marcia Kohatsu fotógrafo no projeto A LUZ DO PARTO.

Statement

   O método científico e o processo artístico se assemelham. Ambos propõem um processo de colocação sistemática de dúvidas ao trabalho. Acontece que nas artes o artista é quem encarna ao mesmo tempo o cientista e o rato de laboratório. O pesquisador é também o objeto da pesquisa. Neste caminho a matéria prima é a sua própria verdade. A tarefa do artista é se tornar um pensador criativo-propositivo, que não só explora ativamente o insconsciente e as contradições de sua personalidade, como também examina paradoxos semelhantes no mundo. Expressar essas tensões, em qualquer tipo de suporte artístico, exercerá um impacto poderoso sobre os outros, levando-os a perceber sensações e verdades inconscientes ou culturalmente reprimidas.
   Desta maneira o artista vai construindo forma e estrutura para o que não as tem. Ele dá nome ao indizível e palavra ao impalavrado. Nesta construção fictícia a verdade da vida começa a vir à tona. É o que Picasso disse com: “A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade”.
   Nesse pleito a arte acaba por nomear e estruturar o próprio artista que metaforiza e sublima percepções capazes de estabelecer ressignificações aos sentido das coisas, desta forma a arte acaba sendo não o sentido por si mesma, e sim o testemunho de possibilidades infinitas de estruturação daquilo que não vemos. Assim o artista acaba por conceber uma interlocução com o insuportável que é o mais profundo e verdadeiro do ser. “Temos a arte para não morrer da verdade” - dizia Nietzsche.
   Neste contexto, um curador, orientador ou tutor, como queira, pode vir a se tornar facilmente uma espécie de terapeuta ou curandeiro charlatão que contém todas as respostas, todas as fórmulas e sabe todos os caminhos. Pelo menos acha que sabe. Por conseguinte o que vemos são artistas que vão ficando com seus trabalhos cada vez mais parecidos com o dos seus curadores/orientadores e não com trabalho que seja o reflexo da sua abordagem singular ao universo e, por sua vez, único. Neste sentido um orientador está para empurrar o artista em direção ao seu próprio desejo através do acréscimo sistemático de ainda mais questões a cada uma de suas perguntas. Pessoalmente desconfio de pessoas que não sejam cheias de dúvidas.
   Me preocupa o número de curadores/orientadores que parecem imperativamente não querer prescindir de estar presente nas falas e colóquios junto aos artistas. De uma certa forma assumem uma postura quase católica, no sentido que nada ali existiria sem a sua benção.
   Falando nisso, o Brasil tem uma postura muito católica, monárquica no mundo (não só) das artes. Há pouco espaço para o “self-made man/women” ou para o mérito próprio, quando em realidade os mais afortunados são os que tem a benção do papa ou estão mais perto do rei.
   Outro ponto concernente é quando se afirma que tal empreitada artística e pessoal pode ser feita em determinada quantidade de tempo. Isto é impossível, posto que o vértice do progresso humano se dá por ir em direção ao desconhecido. Na arte como na ciência progredir é ir do ponto “A “ ao ponto “B”, sem saber onde fica o ponto “B”. Não há inovação no caminho se você sabe para aonde vai.
   Nesta jornada sempre é bom estar amparado. Como psicanalista eu tenho o meu próprio terapeuta e como orientador de projetos autorais eu também sou orientado. E essa ajuda é valiosa. Ela vem nos revelar o que está invisivelmente ao nosso redor, mas preenchendo todas as lacunas desde o início da nossa existência. Como um peixe que uma vez perguntou ao outro: “você já ouviu falar de água?”, enquanto o outro peixe respondeu: “como assim água?”.
   Uma orientação para projetos autorais vem para desvelar o que esta circunscrito na cognição do artista e então empurrá-lo em direção ao próprio desejo, caminhando pela via das palavras e significados nunca explorados. É o momento de se falar de abordagem ao mundo e se permitir fluir junto ao necessário sem se preocupar aonde se está indo ou unicamente com a estética do trabalho, já que se trata de fazer arte. Também é momento para ser "self made" e "self doer", ou seja, fazer enquanto paralelamente concebe a si mesmo no processo.
   A troca constante entre orientador e orientado produz um sistema de criação fluída, um passaporte para o etéreo se tornar arte. - Guilherme Zawa