Sobre o encontro com a CasaTreze Studio no A&B: A imersão na união ou Pensamentos sobre se estar vivo.

Posted on

Um sistema de hipóteses propositais à um problema. Assim defino conceitualmente a estrutra pela qual funcionam a arte e a ciência.
Se estabelecemos hipóteses sistemáticas à vida, por exemplo, é inegável que novas hipóteses nos levarão em direção ao desconhecido, ao nunca experimentado. Mas isso é só parte do caminho, pois chegaremos invariavelmente ao momento da ausência de respostas para as hipóteses levantadas. Ou até mesmo a ausência das próprias hipóteses em si. Esta é a hora da superação, pois o conceito do sistema nada mais é que uma mecanismo de saída de lugares comuns e de novas revelações sobre o ainda não nominado e, portanto, ainda desconhecido.
Todavia sempre há na carreira do artista (e do cientista) o momento da não-resposta e também da não-hipótese. O primeiro, mais comum e vivenciado amplamente ao ponto de até darmos apelidos para ele, como “dar branco” ou “estar sem inspiração”. O segundo, este mais reservado àqueles e àquelas que se dedicam com afinco e determinação à solução de um problema, seja científico ou artístico, mas que se caracteriza por um momento de ausência de perguntas,ou seja, há uma estagnação do vértice de crescimento do processo. Como se o mundo parasse ali mesmo e tudo o mais fosse assim até a eternidade.
Esse é o momento em que se pára de fluir. Digo fluir, pois o sinônimo para o problema é efetivamente o de “estanque”. É a hora de fumar um cigarro, dar uma volta na rua ir ao zoológico. E é justo a hora que a mente fixa na obtenção de respostas ou de mais perguntas, acha seu caminho através da própria existência que nos rodeia. A história mostra que muitas idéias geniais da ciência e da arte vieram assim.
Me parece que é este o momento crucial em que se trabalhar coletivamente tem a sua função. Estar perto do outro é também estar mais perto das respostas e das perguntas às quais procuramos. Em se tratando de arte, as hipóteses se constróem através da observação da vida do(a) próprio(a) artista, suas idiossincrasias, sua cultura, sua formação, mas também através da observação de como nos vemos refratados na própria cultura na qual nos inserimos. Como ela nos afeta e como à afetamos.
Criar arte é, portanto, um exercício de VIDA. Vida pulsante e que flui em muitas direções. Que não se contenta em estar sempre no mesmo lugar.
Posto isso, então é impossível que a vida não seja colaborativa. Já que ela se dá nas conexões possíveis entre agentes variados. Entre as bilhões de hipóteses sobre a vida se cruzam, e se alteram, se amalgamam formando novas formas, novas interpretações.
A falta de respostas ou hipóteses, portanto, é a ausência de movimento em direção à vida.

Viver é fluir.
Fluir é criar.
Criar é colaborar.
Colaborar é estar vivo.
Estar vivo é fluir…
Um agradecimento à CasaTreze Studio, em especial à Castro Pizzano, Rodrigo Pereira e Flávio Carvalho pelos ensinamentos sobre produzir através de um coletivo como a CasaTreze.
Unidos resistiremos!

Curitiba, 24 de março de 2017.